Olá a todos
Cá estou eu para vos relatar mais uma aventura em Luanda, e desta vez, começou um bocado mal.
Este sábado, dia 5, pela manhã, fui com os meus colegas de trabalho, ao Bairro da Maianga, para fazermos o levantamento de uma habitação, a ser remodelada/ampliada e transformada em escritório para uma empresa.
Depois do habitual e já característico trânsito da cidade de Luanda, lá chegamos à Maianga.
O Zé (um dos empregados da empresa) já nos aguardava, montado na sua scooter, faltava apenas descobrir qual era a casa, porque aqui as casas não têm número, ou se têm, nunca estão afixados ou visíveis...para resumir, desde que cá estou ainda não vi nenhum.
Ao fim de algum tempo, e algumas perguntas e telefonemas, lá conseguiram descobrir qual era a casa, tinham dito queficava perto da Casa do Futebol Clube do Porto ( sim!!!ouviram bem, há Dragões em Luanda ).
Mas, para já, vamos manter este tópico em stand by, e mais para o fim, lá voltaremos em pormenor.
Enquanto esperava que alguém encontrasse a casa, entreti-me com um jogo de futebol que decorria na rua mesmo à nossa frente, era só putos a jogar à bola todos descalços, no meio das poças de água de qualidade e cheiro duvidosos. Eles é que mandavam, os carros é que tinham de se desviar...afinal de contas aqui as prioridades são muito diferentes no que toca ao código da estrada!!
Enfim, lá entramos pelo portão, escancarado, e nem sequer foi necessária a respectiva chave, como é normal.
Também não estávamos à espera de encontrar alguém dentro do terreno da habitação, afinal de contas, a casa tinha sido adquirida hà pouco tempo, e já estava supostamente desocupada também há alguns meses.
Mas aqui, e acho até vocês já começam a perceber, é tudo muito dinâmico, e por isso, neste caso em especial, é como quem diz, se o portão está aberto é para entrar...ora com licença.
Tudo isto para vos dizer que, mal entrámos, demos de caras com duas angolas, vendedoras de verduras, que ali tinham estabelecido uma espécie de base logística, ou armazém para ser mais directo.
Ficaram um pouco admiradas com a nossa presença, mas também, quem é que está à espera de ver três pessoas de caderno e máquina fotográfica em punho?
Provavelmente pensaram que seríamos...quiçá repórteres!?!?!
Lá lhes explicámos que estávamos ali para tirar fotos e medidas à casa, e ficaram esclarecidas...
Parece que estou a vê-las a largar os cestos e irem compor-se para a foto :).
Começamos então a explorar o terreno em torno da casa, e cedo começamos a perceber que esta tarefa não iria ser fácil; o cheiro que emanava não era nada bom, mas ainda não sabíamos a sua proveniência.
Também não demorou muito para descobrirmos: mal chegámos ao fundo do terreno, junto de uns anexos, deparámo-nos com um cenário indescritível:
Um cheiro insuportável, proporcionado pelas fezes espalhadas, literalmente por todo o lado.
Escusado será dizer, mas tirámos apenas algumas medidas gerais do exterior e algumas fotos, tentando não permanecer ali por muito tempo, uma vez que não estavam reunidas as condições mínimas de higiene e segurança para levar a cabo tal tarefa.
Afastámo-nos das traseiras do terreno o mais rápido possível, e dirigimo-nos para junto da casa ( a construção principal ), na esperança de que, pelo menos no interior da mesma o cenário fosse um pouco melhor.
Apesar das esperanças, mal entrámos dentro da casa, que nem porta tinha, logo vimos que o pior ainda estava para vir. Ainda por cima, como se não chegasse, tínhamos que ver dois pisos. Em baixo só tirámos algumas fotos rápidas, porque o cheiro era simplesmente insuportável. Aliás, se virem a cara do meu colega, o Juan, acho que entendem perfeitamente o que vos estou a dizer. O tema principal da decoração patente na casa, era mesmo as fezes...
Foi uma corrida contra o tempo, ou melhor dizendo, era suster a respiração o maior tempo possível, tirar fotos e regressar ao exterior para respirar. Enquanto estivémos no rés-do-chão foi mais fácil, apesar de tudo.
Agora quando tivémos que subir ao 1.º andar, o cenário era ainda pior, e aí não houve cá idas ao exterior, só tempo que tivémos que suster a respiração, mais parecia uma competição de apneia...:)
Vejam a foto e concluam o que quiserem, nem sequer a consigo descrever...
Foi uma manhã difícil...ainda bem que deixámos as "sandes mistas " no carro, e não fomos a comer até à casa...havia de ser bonito o cenário, havia!!
Bem, em jeito de conclusão, após esta história, já devem ter percebido que, não houve fim-de-semana na praia em Sangano, mas sim, trabalhinho no escritório, a fazer o projecto de reconversão desta casa, coisa que durou até hoje, 20:30 h de domingo.
Pelo meio disto tudo salvou-se o almoço do dia de ontem, que foi na Casa do Benfica, é verdade entrei no reduto dos "Mouros", mas sei reconhecer:
Fui bem servido, bem tratado, e comi muito bem; um belo bife com batatas fritas, bacon,ovo, salada, e uma coca-cola geladinha, um menu muito equilibrado e saudável.
Isto tudo por um preço bastante razoável ( 2,600 akz, + ou - 26,00 € ), tendo em conta que neste momento vivo numa das cidades mais caras do mundo, no que toca ao custo de vida.
Hoje de manhã, ainda houve tempo para dar um saltinho até à praia do Caribe, durante 3 horas, seguido de um almoço numa pizzaria chamada " O Padrinho " num quarteirão perto do escritório, pois o trabalho aguardava-nos.
Lá comemos umas pizzas muito boas; confesso que me surpreenderam muito, estavam óptimas.
E agora para finalizar o post, do tipo, moral da história, que afinal dá o mote para mais um desabafo, é verdade:
Existem dragões em Luanda!!!!
É mesmo verdade, tratei logo de registar o facto para que não existam dúvidas. Os Dragões estão em todo o lado...
É caso para dizer que a célebre frase nunca fez tanto sentido como agora; e começo a aperceber-me da sua verdadeira dimensão:
O Porto é uma Nação!!!!
Bem, agora respondendo ao pedido do Henrique:
" Pato, os portistas a sério ainda não os encontrei, mas pelo menos já sei onde eles moram...por isso se calhar não vai ser tão difícil conseguir a tão almejada foto com um fervoroso adepto angolano do FCP".
Agora para finalizar este relato, deixo-vos com uma frase muitas e muitas vezes ouvida e repetida, mas provavavelmente nunca sentida com tal intensidade como agora:
"Há sempre um lado positivo em tudo o que nos acontece"
E neste caso, aplica-se claro, à descoberta da Casa do Futebol Clube do Porto em Luanda.
Quando assistimos a tudo isto diariamente, é que começamos realmente a valorizar as coisas mais simples e até básicas, que provavelmente não passariam de mais uma conversa de café; e revestem-se por fim de tal importância, ao ponto de as querermos partilhar com todos os que nos querem bem.
Espero que tenham apreciado esta história, tanto quanto o gozo que me foi proporcionado ao escrevê-lo.
Um grande abraço... e Bibó PORTO!!!!!